Fazei aos homens tudo o que queirais que eles vos façam,
pois é nisto que consistem a lei e os profetas. (Idem, cap. VII, v. 12.)
Tratai todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem.
(S. LUCAS, cap. VI, v. 31.)
O reino dos céus é comparável a um rei que quis tomar contas
aos seus servidores. - Tendo começado a fazê-lo, apresentaram-lhe um que lhe
devia dez mil talentos. - Mas, como não tinha meios de os pagar, mandou seu
senhor que o vendessem a ele, sua mulher, seus filhos e tudo o que lhe
pertencesse, para pagamento da dívida. - O servidor, lançando-se-lhe aos pés, o
conjurava, dizendo: "Senhor, tem um pouco de paciência e eu te pagarei tudo." -
Então, o senhor, tocado de compaixão, deixou-o ir e lhe perdoou a dívida. - Esse
servidor, porém, ao sair, encontrando um de seus companheiros, que lhe devia cem
dinheiros, o segurou pela goela e, quase a estrangulálo, dizia: "Paga o que me
deves." - O companheiro, lançando-se aos pés, o conjurava, dizendo: "Tem um
pouco de paciência e eu te pagarei tudo." - Mas o outro não quis escutá-lo;
foi-se e o mandou prender, par tê-lo preso até pagar o que lhe devia.
Os outros servidores, seus companheiros, vendo o que se
passava, foram, extremamente aflitos, e informaram o senhor de tudo o que
acontecera. - Então, o senhor, tendo mandado vir à sua presença aquele servidor,
lhe disse: "Mau servo, eu te havia perdoado tudo o que me devias, porque mo
pediste. - Não estavas desde então no dever de também ter piedade do teu
companheiro, como eu tivera de ti?" E o senhor, tomado de cólera, o entregou aos
verdugos, para que o tivessem, até que ele pagasse tudo o que devia.
É assim que meu Pai, que está no céu, vos tratará, se não
perdoardes, do fundo do coração, as faltas que vossos irmãos houverem cometido
contra cada um de vós. (S. MATEUS, cap. XVIII, vv. 23 a 35.)
"Amar o próximo como a si mesmo: fazer pelos outros o que
quereríamos que os outros fizessem por nós", é a expressão mais completa da
caridade, porque resume todos os deveres do homem para com o próximo. Não
podemos encontrar guia mais seguro, a tal respeito, que tomar para padrão, do
que devemos fazer aos outros, aquilo que para nós desejamos. Com que direito
exigiríamos dos nossos semelhantes melhor proceder, mais indulgência, mais
benevolência e devotamento para conosco, do que os temos para com eles? A
prática dessas máximas tende à destruição do egoísmo. Quando as adotarem para
regra de conduta e para base de suas instituições, os homens compreenderão a
verdadeira fraternidade e farão que entre eles reinem a paz e a justiça. Não
mais haverá ódios, nem dissensões, mas, tão-somente, união, concórdia e
benevolência mútua.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo 11. Livro eletrônico gratuito em http://www.febnet.org.br.
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